quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Amo (o) errado.

Eu amo errado.
Eu amo errado.
Eu amo errado.

Amo pelo avesso.
Amo pelo contrário.
Amo na contra-mao

No contra-peito
No contra-senso
No contra-tudo-e-todos.

Amo deserrando
Amo desterrando.

Amo desarmando
Amo desalmado.

Amo.
Amo.
Amo.
Amo.

Sem rima, sem métrica, sem poética.

Um dia as desculpas acabam.

.
Um dia as desculpas acabam.

...

Ai que vontade de quebrar a vidraça do seu quarto.

Que vontade de correr sem roupa pela madrugada fria.

Você quente no seu endredom
e eu congelando na minha solidão.

mais clichê impossível.

Que vontade...

...

Seus olhos.

.
Útero, Berço , Regaço.

Quanto de mistério nesse olhar.

Numa retina nua.

Devoras-me.
Como esfinge: interpela-me.
Sabes o enigma?

Sem encantos mágicos.
Apenas olhas-me.

Enxergas-me os ossos.

Como no livro do salmista
Sondas, perscrutas, cercas-me.

Sou todo no seu olhar.
Sou todo dentro de ti.

Cristais.

Condenado na prisão vítrea para sempre.

Suicídio

.

Eu não esqueci cada palavra.
Eu não deixei de acreditar em nada.

Você e sua fiel escudeira sempre sozinhos.

Agora, a você: só o meu desencantamento.

E ainda é muito para quem o silencio é uma armadura
vestida com bravura
mas que lhe faz perder a guerra.

Eu, vagando na noite fria do abandono.

Você, estragando, minuto após minuto, a minha poesia.

Não me deu a palavra certa.
Não me ofereceu a rima necessária.

Um dia acreditei que você era real.
Um sonho desleal que se sonha só.

Corri corrida vã.

Quero de volta o meu verso, o meu soneto.

Afaste-se com seu coração de gelo
Vou para longe do seu poço de vontades.

Não ouso amaldiçoar-lhe.

Não ouso tirar você de mim.

Num estampido o fim.

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Marketing pessoal.

Desculpe o sumiço galera...mas correria geral essas semanas... vou compensá-los postando nas próximas horas... uns três textos novos! Espero que gostem e obrigado pelo carinho de sempre.


MARKETING PESSOAL.

A saudade crua corta a carne nua.

O amor distante não tem a paz constante.

Silêncio fiel.
Consolo necessário?

Esse par de diamantes,
esse corpo que é só desejo.

Nunca esqueci de nada.
Nunca deixei.

Uma nota desafinada atravessa a noite.

Trancado dentro de mim,
mar aberto para o mundo.

Carnaval sacralizado que dura uma estação.

Nem sono,
nem nada.

A cortina da rotina revela uma fotografia conhecida.

Jornal diário maquinal-mente p(r)ensado.

Eu, só eu, nos classificados.

Anúncio grande,
meia página pra metade da vida ser feliz.

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Beijos e até a próxima...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Lição de vida.

Ouvindo o horário eleitoral gratuito e obrigatório (por que todos temos que ouvir) nós, os professores, estamos sendo lembrados pelos candidatos. Quem vai cumprir o que esta prometendo eu não sei. Sei que há anos ouvimos a mesma balela, as mesmas promessas, e temos nossos sonhos alimentados, mas no final é sempre a mesma coisa. Nem preciso falar.

Seria maravilhoso se todos reconhecessem o valor desse profissional que, em muitos casos e lugares tem um salário baixo e defasado, em outros nem tanto, mas ainda não representam a valoração do trabalho dessa pessoa.

Hoje, é dia do professor. Parabéns para nós!

Há 7 anos, com orgulho, faço parte dessa classe “que não tem medo de fumaça, ai, ai. E não se entrega, não”.
Não se entrega diante de um sistema que insiste em não dar condições de trabalho adequadas.
Não se entrega diante das diversas violências sofridas dentro da própria sala de aula.
Não se entrega diante do desrespeito com a classe que forma todas as outras classes.

Quiçá um dia a gente ainda possa lembrar sem saudade desses tempos difíceis e comemorar as mudanças, os avanços, o sucesso na profissão.

Ser professor hoje, não é mais ser missionário.
Ser professor hoje, não é ser desbravador.
Ser professor hoje é ser humano. Respeitado, reconhecido, valorizado.

Também devo agradecimentos a todos os professores que tive.
Os reconheço e os valorizo.

Levo muito mais deles do que dos conteúdos dos livros, pois sabia que em cada aula, a cada dia, eu não aprendia só o alfabeto e uma profissão.
Eu aprendia a maior lição de todas, uma que jamais vou esquecer.

Eu aprendia de cada uma dessas pessoas especiais e inesquecíveis a lição da vida!

Hoje e sempre, felicidades e parabéns pelo seu dia.

FELIZ DIA DO PROFESSOR!

Beijos e até a próxima.

Edson Flávio

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Comer, Rezar, Esquecer

Diferente da ficção que posa nas telas dos cinemas pelo mundo todo. Nossa vida não é tão linda quanto parece. Ou melhor, é linda sim. Só não é tão romântica e simples.

Um dia eu disse que o amor acaba. Acaba aos poucos e quase sempre de uma maneira inesperada e triste. Penso: infeliz de quem perde o meu amor. Afinal , eu também disse, certa vez, que eu sou minha felicidade e por conseguinte sei do tamanho e do valor do amor que devoto as pessoas. Nesse caso a uma pessoa específica.

No filme com a maravilhosa Julia Roberts: Comer, Rezar, Amar - (eat, pray, love) a vida se mostra possível de equilíbrio numa busca incansável pela felicidade e realização pessoal. Na vida real isso também é possível, mas tem seu preço e o seu reverso.

Há um contínuo esforço para manter esse equilíbrio vital necessário para os nossos dias.

Os três verbos no infinitivo denotam a necessidade de manter a constância das ações que eles implicam. O último verbo no trocadilho do titulo do texto é justamente o avesso do tecido.

Comer, rezar, esquecer.

Sempre temos que partir do princípio de que aquilo que não nos traz paz não é bom!

Há equilíbrio quando todas as forças estão em sintonia. Quando Amar já não faz mais conta e passa a ser algo difícil de se lidar, melhor partir para o verbo Esquecer. Mas segue-se comendo e rezando.

Comer porque um dos maiores prazeres da vida está nisso e por analogia, alimentar o corpo de forma correta é garantir ao espírito uma morada saudável.

Rezar porque essa harmonia interna só vai acontecer quando tudo estiver bem resolvido dentro da gente. Afinal: o que queremos? Porque queremos? Vale à pena? É isso mesmo? Rezar requer decisão e tomada de consciência de tudo que eu preciso e do que tenho que fazer.

Amar ou Esquecer? Amar é bom, é maravilhoso. Mas amar sozinho ou não ser amado, ou ainda não ter atenção ou resposta ao seu amor é terrível. Nessa hora é melhor desamar do que malamar. Esquecer é tão difícil quanto amar, mas é sempre melhor do que ficar sofrendo por alguém que não merece ou que parece não se importar com nossos sentimentos.

Para controlar tudo, na nossa vida Comer e Rezar ficariam no automático. E quem dera tivéssemos dois botões apenas no coração. Um: amar. Outro: esquecer.

Na atual conjuntura da minha vida, hoje eu estaria apertando um deles. E você?

Pense bem.

Beijos e até a próxima.

Edson Flávio