quarta-feira, 30 de junho de 2010

na terça feira a noite...

umas coisas preocupam mais,
outras menos.

coração apaixona e desapaixona.
se entrega
se decepciona

se ganha e se perde numa mesma noite.
sonha-se e acorda-se.

está feliz, mas tem medo por causa das experiências passadas (esse passado sempre presente)

percebi que a gente não tem que ficar determinando muito.

temos que ouvir muito.

amar muito.

a gente sempre termina porque quase odeia.
e odeia porque não sabe explicar por que ama-se tanto.

não sabemos parar de pensar
não sabemos parar pra pensar.

Só queremos o óbvio: amar!

domingo, 20 de junho de 2010

Partida de Futebol

Hoje não tem problema.
A galera chega cedo.
Criança correndo pela casa.
Cada um traz alguma coisa.
Tudo tão alegre. Tudo enfeitado, parecendo natal.
A cerveja trincando. Toda de noiva esperando.
Liga a TV.
Mulheres pra cozinha.
Machos na sala.
Crianças no quintal.
Almoço pronto. Um furdunço de novo.
Acabou, cada um no seu lugar, hora de esperar o Galvão.
Eles chegaram.
Entrando em campo, aquela tensão.
Corre prum lado, corre pro outro.
Já não tem unha nos dedos.
Traz amendoim. Traz a cerva!
Tensão
Tensão
Tensão
Ai...o grito!
Um ufa geral.
Dois ufa geral.
Três ufa geral.
Sem unha geral.
Mais cerva.
Gritoooooooooooooooooooooooooooooooooooo.
Alegria geral.
Abraços.
Pagode.
Sorrisos.
Cada um volta pro seu mundo.
E o no sinaleiro amanhã outra criança vai me dizer: tio me dá um real!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Saber esperar

Sozinho no escritório aguardo meus pacientes e pacientemente escrevo. À luz de um dia radiante de sol onde o país para frente aos televisores para assistir o primeiro jogo do Brasil no campeonato mundial.
Euforia nas ruas, frênesi total, quase uma hipnose coletiva. A mim, nem tanto. Nunca fui dado aos esportes. Muito menos ao futebol. Confesso que essa paixão futebolística também me atrai, mas ela é inconfessável, assim continuo meu contraponto.
Esperamos, pacientemente, aprendendo e jogando até que outra copa chegue.
Isso tudo foi apenas para tentar começar um texto que insiste em não sair. Talvez porque ainda não “tá pronto”!
Queria muito falar de uma frase que ouvi outro dia de uma amiga, numa dessas noites de boemia. Alias nem tão boêmia assim, mas que sempre são maravilhosas, muito alegres e cheias de confidências. E numa dessas confidências essa amiga diz: A gente quer a pessoa pronta!
Pensei: o que é estar pronto? Será que estamos prontos?
Bem, o assunto, meu nobre leitor já deve bem saber, é o relacionamento entre duas pessoas.Ponto.
Quando começamos um relacionamento ou decidimos iniciar um contato mais próximo com alguém, é sempre com o intuito de ser para sempre. Parece que tudo nasceu com vocação de eternidade. Tudo é pra sempre, só que esquecemos que o Renato Russo já cantou que o pra sempre, sempre acaba.
Ele é o homem da minha vida!
Ela será a mãe dos meus filhos!
Calma, calma, calma. Alto lá!
Queremos resumir 20 ou 30 anos em 30 dias, ou menos.
É uma vontade de tudo pra ontem que perdemos a magia da espera.
A transformação que advém da espera traz a têmpera que conduz o espírito à serenidade.
E não! Ninguém está pronto. Eu não estou. Você não está. (Enquanto escrevo sinto que nem deveria estar escrevendo. Não estou pronto!)
Saber esperar é difícil.
Como a mãe espera um filho, a terra seca espera pela chuva, o girassol pelo sol, o cais pelo barco, a praia pelas ondas,...
Tudo é espera. Silenciosa ou não. Saber esperar é um dom!
A ansiedade é a escavadeira que abre o abismo da incerteza.
É importante aproveitar mais esse tempo de agonia, quero dizer de espera, para amadurecermos o espírito. Apaziguar certas coisas. Aparar as arestas.
Duas pessoas são duas pessoas.
Até porque se a gente estivesse pronto tudo seria tão fácil. E tudo que é fácil demais perde seu valor.
Querer tudo para ontem só atropela as coisas.
Sem pressa. Na paz! Vamos viver um dia de cada vez e nos preparar sempre para o outro, para o amor, para a vida!
Beijos e até a próxima.

sábado, 12 de junho de 2010

Atentado

quero botar fogo nos motéis
fechar os bares da cidade
explodir os restaurantes.

de botas pretas
arma em punho
separar as bocas
jogar gelo triturado nos corpos tesos

desligar os celulares
bloquear as redes
cancelar as surpresas

promover a cegueira coletiva
promover a mudez coletiva

despejar insensibilidade sobre a terra.

apagar as velas
apagar a lua
limpar a rua
deixá-la nua

acabar de vez
com tudo isso.

por fim,
em mim.

(à rita gelatti)

poesia ainda viva

da tua boca
oca
ouço
preso no calabouço
d´alma (sem)
calma

sinto (não)
minto (?)


busco seu
busto, a todo
custo

quero seu
colo, seu
peito
inteiro, seu (a)
braço
largo
seguro
duro

corpo
morto (?)


apressado
urgente
agora.

Quando a arte toca a vida

Hoje sei o que é “catarse”, no maior precisão do termo aristotélico.
Lendo o texto “Aqueles dois” do saudoso Caio Fernando Abreu, autor que conheci recentemente e que morreu em 1996, de uma vasta e intensa produção, indiscutivelmente emocionante, reflexiva, existencial!
Hoje experimentei a catarse, a cooptação.
Experimentei o toque do texto, vi a cena, vivi.
Um texto simples. Sem problemas a serem resolvidos.
O que era para ser apenas uma leitura em sala de aula, tornou-se fruição, experiência literária, transe. Silencio. Lágrimas. Silêncio.
Sinto até agora o texto.
Sinto até agora o calor no corpo.
Sinto até agora Raul e Saul perto de mim.
Amo sua(s) historia(s).
Vivo.
Não há como negar, parafraseando Antonio Candido, que a literatura nos humaniza, nos devolve o universo fabulado.
A literatura nos restitui o mundo que o egoísmo, a frieza, a guerra, a tirania tirou de cada um, tirou da humanidade.
Ninguém vive sem literatura como ninguém vive sem o pão de cada dia.
A utopia é necessária, como no dizer da poeta Natália Correia, Ó subalimentados do sonho! a poesia é para comer.
Vamos comê-la, devorá-la.
Bon appétit.

Beijos e até a próxima.

Agradecimentos:
1- a minha colega de mestrado Luciene por primeiro ter falado desse cara (CAIO FERNANDO ABREU)
2- ao Prof. Dr. Emerson Inácio (USP) por ter proporcionado o momento de catarse.

sábado, 5 de junho de 2010

Uma tarde fria em Cuiabá

(Falando francamente)
Temos ritmos diferentes.
Não queremos atropelar as coisas.
Você disse que não quer.
Eu também não quero atropelar.
Então...
Estive pensando sobre sexta a noite.
Querendo ou não a gente atropela as coisas.
Sem ser hipócrita, mas a gente se deixa levar por uma série de coisas: carência é uma delas.
Achei ótimo o que aconteceu e com quem aconteceu.
Mas poderia ter sido com uma pessoa que não fosse legal.
A impressão que tenho é que faço pelo avesso.
O começo suuuuuuuuuper intenso.
Depois vem a razão e a necessidade de se brecar as coisas.
Você não vê assim?
A gente se doa sem se conhecer.
Não to questionando...
Foi bom, mas é estranho.
Arruma-se intimidade onde ainda não existe.
A gente se encanta sem saber se o outro tem chulé ou mau hálito.
Se tem hábitos parecidos com os seus, essas coisas, etc.
Você se joga mais, mas a vida é aprendizado.
Eu sempre vivi solteiro.
Então não é novidade.
Eu gosto muito do frio.
Hoje em Cuiabá parecia uma tarde fria de Paris: céu cinza querendo se iluminar...
E no frio a gente fica mais bonito...
...