sábado, 22 de maio de 2010

MEU ANJO

Oi gente... um texto escrito em 2005 em mais um momento de devaneio...
Bjs e até a proxima...

... Meu anjo....
É sempre frio onde meu coração está. Porém ao amanhecer do terceiro dia o túmulo está vazio.
Olhando pela janela do quarto, por entre as arvores da floresta negra via um anjo deitado. Antes de perguntar-me se poderia um anjo cair do céu. Agora a pergunta era: o que um anjo faz aqui? Na minha floresta!
Será talvez o anjo da guarda que pra me proteger resolveu “aparecer”. Será um anjo desencarnado no corpo do ser que me fará feliz? Presente de Deus?
Mediante ao evidente empenho de comunicar-me com esta criatura resolvi tomar um banho que a contar da temperatura lá fora não congelei por um triz.
O fogo que me ia por dentro aquecia-me de tal forma que quando vi estava dando as mãos para a criatura celeste.
Seu olhos eram lindos, cristais da alma amada. Não tive dúvida. É o amor da minha vida.
A pessoa com quem serei feliz. Mas, espere, não reagiu.
Não demonstrou ser o que eu penso.
Tudo bem, adormeço em meio ao frio que me cerca e tento juntar forças para enfrentar o amanhã.
Na manha cinza de mais um Corpus Christ um novo olhar me seduz, diferente do olhar passado. Já não sai da minha cabeça. É um olhar que fica.
A sexta-feira passa e somente a noite o olhar olha aberto e sorri. Capta. Beija. Beijo resposta.
As bocas nada pronunciam, não são necessárias as palavras nesse jogo não verbal. A linguagem aqui é outra.
O vinho que embriaga meu ser, via Baco, com Baco, por Baco e em Baco, é viés das declamações e juras de amor que são ouvidas nos quatro cantos da terra.
Os anjos decaídos imploram por redenção neste amor.
Os Principados, os Tronos, as Potestades todas estão dispostas a intervir neste destino.
Em nosso delirante amor nos deleitamos e deitamos na estrada deserta da vida, na lua que se espraiava pelo asfalto frio. Na relva verde que orvalhada exalava a chegada do dia e refletia o brilho dos primeiros acordes pontudos da manhã fria que rasgava o véu da noite escura.
O vento sul que passava, enlaçava nossos corpos nos unindo numa espécie de dança cósmica.
As bocas se bocando, as mãos se malinando, os corpos se copulando, as almas se almejando e o amor amando.
Um sonho.
Cadê meu anjo?

8 comentários:

  1. interessante observar como os escritos, por mais que sejam de nossas antigas produções e pensamentos, permanecem vivos em nossa memória e nos tocando, como um punctun fotográfico. belo texto, amigo.

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  2. Seu devaneio nos leva a lugares antes não visitados...o que brota do coração é uma satisfação muito grande...amodoro vc!!!

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  3. FRA ESSE TEXTO É MT LINDO PALAVRAS MARAVILHOSAS..
    PARABÉNS.
    ABRAÇOS.
    ASS WESLEY GARCIA BENFICA..
    SINOP MT..

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  4. Lindo, meu querido!!!!!!!!!!
    Tua sensibilidade sempre me comove. Que bom poder devanear entre palavras...e vc faz isso deliciosamente!!!!!!
    beijos meu poeta
    Neila

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  5. Oi Edson Flávio
    Como bem disse o romancista e poeta alemão Hermann Hesse: “Nada lhe posso dar que já não exista em você! Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquelas que há em sua própria alma. Nada posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo!”. Edson, meu querido amigo, você consegue transformar em poesia e nos permite explorar o que lhe é inerente e que habita em você de maneira peculiar. Platão quando fala sobre o Mito da Caverna em sua obra “A República”, trata exatamente sobre a descoberta de um mundo novo e conceitos diferenciados que podem influenciar uma vida inteira.
    Você consegue sair de sua caverna para encontrar imagens que se tornam reais em vez de somente sombras. Continue sendo seu próprio filósofo,um cara fantástico sem medo de conhecer o novo, de encantar as pessoas e acima de tudo de amar e de saber dar amor. Tenho certeza que teu sucesso nos textos é pelo fato de que tudo que escreve foi antes construído na alma!
    Beijos no coração
    da amiga
    Ilma Grisoste Barbosa

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  6. Lindo texto, uma criatividade incrível.

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  7. Querido amigo, que belo conto. Início, meio e fim. Entrelaçados...
    ADOREI!

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  8. Você sempre nos surpreendendo com a sua criativadade ne amigo! Que inveja boa!
    Adoro... ;*

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